quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Um gráfico, o ápice

Te lembras de quando eu dizia
Que pior que viver uma história
E que o fim anuncie sua hora
É amar a uma utopia?

Que ainda que por um momento
O amor de fato existiria
Mesmo que por pouco tempo
Lua cheia, alguns dias

Mas tu me contrariavas
Dizias que eu iria saber
Quão pior é chorar de perder
Que morrer sem ter a quem amava

É, me parece que eu estava certo
Pois você comigo, bem perto
Me fez um bem que eu nem sei
Bem mais feliz do que pensei

E não era muito o que eu esperava
Cicatrizou aquela ferida
Mostrou que o melhor da vida
É viver tanto quanto sonhava

Por isso o final sem pranto
De não parecer o final
De permanecer no meu canto
Apenas voltando ao normal

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Resquícios de um final feliz

Não guarde de mim as palavras vazias
Momentos mornos, cinzas, sem cor
Guarde estas mãos desajeitadas, amor
Segurando as suas, frias

Não se lembre de mim como quem já passou
Eu estou aqui, sincero mentor
De planos que não chegaram a existir
Lembranças que te fariam sorrir

Não chore, não chore ao lembrar de mim
A paz que eu te trouxe ainda está aí
E é para não te deixar chorar
Que é para que eu possa te ver feliz

Nem só de amor vive aquele que ama
Mas da felicidade do ser amado
Sou feliz se tu és e te amo
Mesmo tendo tudo acabado

sábado, 13 de setembro de 2008

Sorrateiro cárcere

Vontade que dá de dizer o que eu sinto
Contar a verdade, de amar eu não minto
Cantar a saudade nos olhos aflitos
Se você já sabe de cor, eu repito

E bate no peito, perfeito, um instinto
E tenta escapar, num abraço ou num grito
Mas vens me abraçar e gritar no ouvido
"Não o deixe passar, porque a porta é de vidro"

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Asas, luas e céu

Já não se vê nada além da lombada amarela por ali.
Nem o violão, nem a bicicleta, nem o garoto e seus arranhões de tentar subir pela parede.
Para vê-la de perto, pela janela.

Todos os dias, ao cair da tarde, descia e batia o ponto no batente.
O meio-fio que ladeava o apartamento térreo do prédio, que ainda era verde.
Dali dava pra fingir que era só uma conversa de praxe com os amigos.
Até que ela aparecesse.
Então apoiava a bicicleta na parede e subia.
Ela sorria.
Não podia sair àquela hora.
Mas parecia mesmo mais bonita dali, emoldurada na janela.

Vez por outra ele arriscava, desafinado, uma música em seu violão, dedicada a ela, como tudo que fazia aquela noite. Todas aquelas noites.

E ela nunca desconfiou.

Era diferente de tudo que já havia experimentado. Um metro e meio de milhões de sensações prestes a explodir.

O garoto que vivia sozinho sentiu-se preenchido com aquela alegria, deslumbrado com tanto afeto, tanta paz.

Cada abraço ele guardou, cada beijo, na memória. Os cheiros, a voz, aquela música que ela cantava, quase que sussurrada. Ficou envergonhado de retribuir a tudo isso com um CD pirata e algumas palavras, quando ela disse que partiria.

Ela não era dali.

E pra lá voltou.

Ele ficou.

O amor ficou.

A paixão secou.

Restou a saudade.

A vontade de ter denovo aquela pequena mão segurando a sua orelha. Em algum lugar no vazio que ela deixou, repetia o gesto, como se pudesse trazer de volta os momentos.

Por muito tempo, ao passar por ali, olhava para a janela, morta, na esperança de vê-la, ou de ouvir a notícia de que voltara. Em vão.

Emanuela era um pássaro, de beleza imponente, que nunca mais pousou.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Estrela cadente

Quero ter braços feitos de corda, para abraçá-la e poder dar um nó.

sábado, 12 de julho de 2008

sábado, 5 de julho de 2008

Conjugue

Olhe ao redor, mas não como você costuma fazer.
Faça análises do que os olhos fechados conseguem ver.
Veja as pessoas, não aquilo que elas vestem e parecem ser.
Seja apenas o que o seu coração sentir.
Sinta tudo intensamente, e o que for bom tente repetir.
Repita todos os dias, como é único cada momento e só.
Sozinho você muda a si e o que está ao seu redor.