domingo, 29 de junho de 2008

Pule

Será que a sensação da queda
Vale a maneira como ela termina?
Só há um jeito de saber.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Pela janela

Tudo amarelo
Aos poucos a tarde se esvai
Quase posso respirar o calor
De sentir a luz vespertina cair sobre a pele
E o cheiro da chuva
Que chega, sem mandar embora o sol
Suaves gotas para dar um pouco de graça ao cenário
Perfeita harmonia
As cores ganham tons mais fortes
Pinceladas de luz sobre a imensa tela molhada
Um pouco de azul para contrastar
Agora o vermelho predomina ali
Aonde vão meus olhos, quase cegos
De não merecerem tamanho espetáculo
E aquela nuvem teimosa
Insiste em não mudar de cor
Permanece rósea, apesar de todo o resto
E parece me acompanhar, devagar
Em alta velocidade
Ao meu lado, sempre
Sim, me acompanha
Me distrai, enquanto o resto do cenário, sorrateiro, escurece
E vai se perdendo de vista, sem despedidas
Dando lugar às luzes artificiais
Dos postes e automóveis
Da avenida caxangá

domingo, 22 de junho de 2008

Domingo

Menina dos olhos
Dos olhos de prata
Prata mole, derretida
Meio azul-esverdeados
Um livro cor-de-domingo
A vontade de ser, crescer, fazer
Escrever
E a vida prossegue
Como se tudo houvesse acontecido

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Como seria? E como será?

Tenho em mim um sentimento estranho. Algo muito bom, mas ao mesmo tempo intrigante. Como, depois de tanto tempo, consigo ainda gostar da mesma forma daquele que um dia foi meu melhor amigo e hoje nem sente falta de pronunciar meu nome? É no mínimo estranho não conseguir esquecer, já que não faz mais sentido, se nem a amizade existe mais. Afinal, o que é esse "gostar"?

É como se o tempo houvesse parado para mim com relação àquele ou àquela, fulano ou sicrano. A vida do outro continua, muda constantemente, as pessoas passam, mas na minha ele fica. E fico eu, parado no tempo, a lembrar das coisas que fizemos juntos e não fazemos mais, que vivemos ou deixamos de viver.

Tenho ainda a esperança de ter de volta quem perdi, apesar de quase sempre conseguir ver nos olhos a não reciprocidade. E essa perda não significa deixar de se ver ou se falar. O que se perde é o que nos unia. Mas em mim permanece intacto o sentimento que me faz acreditar.

O momento mais triste de uma amizade é quando ela começa a enfraquecer. É frustrante ver um amigo se afastar, principalmente quando não há motivo algum. E quando acontece, é doloroso para um e nem tanto para o outro, visto que é "o outro" quem se afasta. O "um" sempre sou eu.

Quando digo que alguém é meu amigo, estou dizendo que gosto muito dele e que nele posso confiar. A confiança para uma amizade é fundamental. Só confio nos meus grandes amigos. Por isso interessa a tantos saber ou fazer especulações sobre a minha vida: poucos sabem sobre mim. A estes chamo de verdadeiros amigos.

Um amigo de verdade quer a felicidade do outro. E muitas vezes faz sacrifícios por ele. "Amigo é pra essas coisas", não é?

A tristeza de um amigo me faz triste também. Mais triste ainda fico quando o vejo jogar sua vida no lixo sem perceber. É sufocante a sensação de não poder fazer nada, saber que ele pode não "acordar" a tempo. E fico torcendo para que o vento ou algum acaso traga para ele aquilo que eu, desesperadamente, tento lhe mostrar (em vão). Não adianta falar, essas coisas só a vida ensina mesmo. O que me resta é desejar que aprenda.

Por outro lado, se um amigo atinge um objetivo importante, consegue algo por ele muito almejado, se sente bem, ou simplesmente sorri para mim, essa felicidade contagia e, ainda que discretamente, me sinto feliz como se fosse ele. Tenho orgulho dos meus amigos.

No fim das contas, acho que esse sentimento estranho (que um dia ainda vou entender) nada mais é que amor. Sim, o tão simples e complexo amor em sua mais pura vertente. É isso que me faz preservar, constante e imutável, a imagem do amigo, que muitas vezes deixou de o ser, mas aqui no peito, continua amor.

terça-feira, 17 de junho de 2008

domingo, 15 de junho de 2008

Areia

- Finalmente, aqui estamos.
- É.
- Fica aqui um pouco.
- Já volto.
- Tudo bem.
-
- Cadê você?
-
- Vem pra cá, fica um pouco.
-
- Volta. Volta aqui.
-
- O que aconteceu?
-
- Cadê você?
-
- Por quê?
-
- Por que tão distante?
-
- E os nossos planos? E tudo o que pensamos?
-
- É a nossa chance!
-
- Cadê você?
-
- E tudo o que vivemos?
-
- E tudo o que sentimos?
-
- Cadê você?
-
- Me diz por quê.
- Adeus.

sábado, 14 de junho de 2008

Nuvens

- Eu te amo.
- Eu também.
- Estou com saudades.
- Não aguento esperar.
- Pensa nos dias que vamos passar juntos.
- É, vai ser lindo.
- Não vejo a hora.
- Eu quero muito.
- É daqui a pouco.
- Já já.
- É.
- Mas e até lá?
- A gente conversa. Pensa que vai ser bom.
- É, vai ser.
- Não esquece de perguntar. Vou rezar pra dar certo.
- Vai dar. Ela tem que deixar! Reza aí.
- Quatro dias. Você vai enjoar de mim.
- Você que vai enjoar de mim.
- Enjôo nada.
- Preciso de um abraço teu.
- Queria estar aí contigo.
- Mas o ônibus não passa mais a essa hora.
- É.
- Eu preciso ir. Acordo às seis e já são mais de três da manhã.
- Fica mais um pouco.
- Não dá. Se pudesse ficaria aqui conversando até...
- Tudo bem. Pode ir, eu deixo.
- Tchau.
- Tchau.
- Beijo.
- Beijo.
- ...
- Ei.
- Oi.
- Te amo.
- Também.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Anjo

Limpeza da mente
Rasgando memórias
Foi tão de repente
Foi tudo embora

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Fênix em ti

Em meio à fria água, renasce bela e quente
Suja de pó de morte recente
Certa da próxima, óbvia, anunciada
De mortes e vidas, mantém-se inalterada

Contra o frio lutam suas chamas
Doces carícias que a destróem
Todo o tudo lhe corrói
Amor não se diz, se ama