quinta-feira, 31 de julho de 2008

Estrela cadente

Quero ter braços feitos de corda, para abraçá-la e poder dar um nó.

sábado, 12 de julho de 2008

sábado, 5 de julho de 2008

Conjugue

Olhe ao redor, mas não como você costuma fazer.
Faça análises do que os olhos fechados conseguem ver.
Veja as pessoas, não aquilo que elas vestem e parecem ser.
Seja apenas o que o seu coração sentir.
Sinta tudo intensamente, e o que for bom tente repetir.
Repita todos os dias, como é único cada momento e só.
Sozinho você muda a si e o que está ao seu redor.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Contra a correnteza

Não sei ao certo como se conheceram, mas lembro-me bem daquele dia.

Ela o viu ali sentado, sozinho. Pousou ao seu lado, sem o menor ruído. Pôs-se a observar. Desenhava coisas que ela não conseguia entender, mas também não perguntava. Apenas observava.

Ele gostava daqueles olhos verdes, atentos, a tentar decifrar o que talvez só os dele conseguissem ver.

~~
Complexo demais.

Que nada.
Tão simples que ninguém conseguia enxergar.

~~

Não suportava quando lhe perguntavam: "O que você quis dizer com este desenho?"
Ora pois!
Não quizera dizer, estava dito!
Cabia ao leitor interpretar.
Mas isso não vem ao caso. Voltemos aos olhos verdes.

Sem dizer palavra alguma, conversaram por horas. Aquele olhar ficaria na mente por muito tempo. Parecia entender seu desespero, sua dor. E estaria sempre lá, para ouvir, acalmar, confortar.

Ele sentia algo diferente. Um gosto, um cheiro, um sei lá o que. Era estranho e bom. Como um arrepio, daqueles que se sente quando se está em perigo, ou quando o carro desce de vez o viaduto. E era constante. Durava tanto quanto os verdes ímãs atraíssem os seus olhos.

~~
Tinha olhos de metal.
~~

Ficou agarrado àquela visão, como nunca acontecera antes. Aquilo era muito forte e parecia capaz de destruir qualquer coisa que pudesse impedir sua existência.

~~
Sonhou.
E não foram os lábios o que desejou.
Tampouco os seios, as coxas.

Queria aqueles olhos,
Aquele convite a um universo até então desconhecido.
~~

É uma pena não ter passado de um sonho.
Sabia que acordaria, então simplesmente sonhou um pouco mais.
E mais.

Mas era hora de partir.
As pernas pareciam não concordar, mas ela precisava ir.
E tão silenciosa quanto ao chegar, se foi.

~~
Sua pequena utopia nunca deixou de o ser.

E a alimentava a cada encontro.
Um forte laço mantinha viva essa vontade.
Apenas a vontade. Tornar real estragaria a brincadeira.
~~